Uma aranha em agonia / A Spider in Agony

Olga Donata Guerizoli Kempinska

Resumo


Resumo: Tomando como ponto de partida a interlocução entre dois textos que encenam reações do ser humano à agonia dos animais, o artigo se debruça sobre o mal enquanto relação com a dor e a destruição. Presos na armadilha, a aranha do poema de Czesław Miłosz e os besouros do diário de Witold Gombrowicz desencadeiam em seus observadores respostas confusas, seguidas de um impulso de investigação dos limites éticos do “humano”. Ultrapassando o antropocentrismo de Bataille em A literatura e o mal, Miłosz, Gombrowicz e, no Brasil, Nuno Ramos, investigam a ambiguidade característica da relação do ser humano com a animalidade, com o sofrimento e com a arte.

Palavras-chave: mal; agonia; Witold Gombrowicz; Czesław Miłosz; Nuno Ramos.

Abstract: Taking as its starting point the dialogue between two literary texts that depict human reactions at animal agony, the paper discusses the notion of evil in its relation to pain and destruction. Caught in a trap, the spider from the poem by Czesław Miłosz and the beetles from the diary by Witold Gombrowicz awake in the observer a movement of investigation of ethical borders of the “human.” Going beyond Bataille’s anthropocentrism in Literature and Evil, Miłosz, Gombrowicz, as well as Nuno Ramos in Brazil, inquire into the ambiguity as the key characteristic of the human relation to animality, to pain and to art.

Keywords: evil, agony; Witold Gombrowicz; Czesław Miłosz; Nuno Ramos.


Palavras-chave


evil, agony; Witold Gombrowicz; Czesław Miłosz; Nuno Ramos; mal; agonia.

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DOI: http://dx.doi.org/10.17851/2317-2096.27.1.181-195

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