Um crime delicado: conversando aos infinitos: um retrato de cavalo / A Delicate Crime: Talking to Infinity: A Portrait of a Horse

Cid Ottoni Bylaardt

Resumo


Resumo: Um delito foi cometido: Iô Williãozinho ousou bater uma foto do alvinitoso de Bio, sem aviso nem consentimento. Em “Retrato de cavalo”, de Tutaméia, a instigante indeterminação da escritura de Guimarães Rosa estabelece um paralelo entre um cavalo e seu retrato, a partir dos sentimentos contraditórios de seu dono, que considera um crime aquele clique. Temos aí um retrato, imagem subtraída ilicitamente ao seu dono: escrita, representação. Temos também uma narrativa, escrita do retrato, representação da representação. Este artigo pretende mostrar como Guimarães Rosa manipula as ambiguidades da linguagem literária, levando-a além dos limites da representação, explorando seu fascínio, seu saber, que não é da ordem da compreensão. O cavalo e seu retrato fazem refletir sobre a literatura, sobre seu excesso de verdade que compõe sua mentira. Ao escrever o cavalo e seu retrato, o texto não consegue fixar nenhuma verdade, apenas imagens fugidias que compõem recapítulos: há sempre um escrito a se sobrepor a outro, sem determinar onde está o verdadeiro, onde está o que o nega, a remeter o olhar ao reino da fascinação, onde a imagem perde o valor de significação para se tornar pura paixão da indeterminação, da indiferença.

Palavras-chave: crime; retrato; representação; escritura; indeterminação.

Abstract: A crime was committed: Iô Williãozinho dared to take a photo of Bio’s white horse, without notice not even permission. In “Retrato de cavalo” (“Portrait of a horse”), from the book Tutaméia, the stimulating indetermination of Guimarães Rosa’s writing establishes a parallel between a horse and his portrait, from the contradictory feelings of his owner, who finds a crime that click. There’s a portrait, image taken illicitly from his owner: writing, representation. We also have a written narrative of the portrait, representation of the representation. This communication intends to show how Guimarães Rosa manipulates the ambiguities of the literary language, taking it besides the limits of representation, exploring its fascination, its knowledge that is far from the act of understanding. The horse and its portrait makes us think about literature, on its real excess that composes its lie. On writing the horse and its portrait, the text does not manage to fix any truth, only runaway images that compose re-chapters: there is always a writing over the other, without determining where the true thing is, where there is what denies it, sending the glance to the kingdom of the fascination, where the image loses the value of signification to be made pure passion of the indetermination, of the indifference.

Keywords: crime; portrait; representation; writing; indetermination.


Palavras-chave


crime; retrato; representação; escritura; indeterminação; crime; portrait; representation; writing; indetermination.

Texto completo:

PDF

Referências


BARTHES, Roland. A câmara clara. Trad. Júlio Castañon Guimarães. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.

BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. Trad. Sérgio Paulo Rouanet. São Paulo: Brasiliense, 1994. v. 1.

BLANCHOT, Maurice. L’espace littéraire. Paris: Gallimard, 1999.

ROSA, Guimarães. Primeiras estórias. São Paulo: José Olympio/Civilização Brasileira/ Ed. Três, 1974.

ROSA, Guimarães. Tutaméia. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.




DOI: http://dx.doi.org/10.17851/2317-2096.20.3.47-57

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2010 Cid Ottoni Bylaardt



Aletria: Revista de Estudos de Literatura
ISSN 1679-3749 (impressa) / ISSN 2317-2096 (eletrônica)

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.