DO TEXTO AO CONTEXTO: O PROCESSO COMUNICATIVO DOS MEMES NA PERSPECTIVA DA LINGUÍSTICA TEXTUAL

Poliane Lima Leal de Souza

Resumo


A pós-modernidade trouxe consigo a era digital, consequentemente diversas áreas do conhecimento foram invadidas por mídias digitais e houve a necessidade de se adequar a esta nova demanda implantada na sociedade. Ao longo dos anos o sistema de comunicação vem sofrendo modificações constantes e a interação vem sendo concebida através de novos gêneros em diferentes suportes. Nosso objetivo neste podcast é conduzir o ouvinte à reflexão sobre a funcionalidade, o papel social que os gêneros no contexto digital visam cumprir. Deste modo, buscamos atrelar à língua- sobretudo o texto que é nosso objeto de maior interesse- essas novas mídias digitais que se propagaram especialmente com o advento da internet. Então, escolhemos trabalhar com o meme, um gênero digital multimodal bastante rico em sua concepção e estrutura e recorrentemente usado nos meios sociais, para refletirmos sobre como se dá o processo comunicativo através do texto e contexto nele presente e também dos conhecimentos necessários à sua abordagem e compreensão. No livro Memes in digital culture, a pesquisadora Shifman conceitua meme como a facilidade de se manipular e divulgar materiais na internet, transformando-os em um fenômeno cultural. Encontramos uma outra definição em Carvalho e Kramer (2013, p. 86) que compreendem o gênero em questão como “modismos usados durante um período de tempo, muito populares nas comunicações por redes”. O meme, hoje, é um dos gêneros mais produzidos na internet e, devido ao seu cunho humorístico e irônico, é facilmente compartilhado nas redes sociais. Esta foi a razão que nos motivou ao trabalho com o texto materializado por meio deste gênero, riquíssimo em efeitos de sentido, contextualização com a atualidade e intertextualidade. Na maioria dos casos, o meme evidencia algum fato que repercutiu na sociedade, especialmente na mídia. Sendo assim, ele geralmente irá abordar um fato relevante à determinada época. O meme geralmente é realizado por meio da linguagem mista, porém existem alguns que apresentam apenas a linguagem não-verbal. Podemos inferir ainda que a graça causada pelo meme e até seu próprio entendimento são, na maioria das vezes, efêmeros, quem ler o texto em uma outra época pode não conseguir extrair sentido dele por estar descontextualizado. Podemos afirmar que, mesmo se tratando de um gênero em que na maioria das vezes possui textos simples e de fácil compreensão, há diversas possibilidades de sentido nas entrelinhas do texto e nos recursos semióticos presentes nos memes. Beaugrande (1997, p.10) afirma que “o texto é um evento comunicativo em que convergem ações linguísticas, sociais e cognitivas”. Assim, a Linguística Textual, sob uma ótica mais técnica, se preocupa com o relacionamento entre essas ações. Apesar de ser um gênero simples, de textos curtos, há uma riqueza no trabalho com memes e uma vasta abordagem possível ao trabalho com este gênero, como por exemplo, um estudo aprofundado sobre a interdisciplinaridade tão comum aos memes, as anáforas, a questão da inferência, dentre outros aspectos.

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Palavras-chave


meme; gênero; redes sociais; internet.

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Referências


BEAUGRANDE, R. de (1997). New Foundations for a Science of Text and Discourse: Cognition, Communication, and the Freedom od Access to Knowledge and Society. Norwood: Ablex.

BEZERRA, Benedito Gomes. Gêneros no Contexto Brasileiro: questões (meta)teóricas e conceituais. São Paulo: Parábola Editorial, 2017.

CANDIDO, E. C. R; GOMES, N. T. Memes- uma linguagem lúdica. Revista Philologus, Rio de Janeiro, ano 21,n. 63, p. 1293- 1303, set/ dez, 2015.

CARVALHO, N; KRAMER, R. A linguagem do Facebook. In: SHEPHERD, T. G; SALIÈS, T. Linguística da Internet. São Paulo: Contexto, 2013.

KOCH, Ingedore Villaça. ELIAS, Vanda Maria. Ler e Compreender: os sentidos do texto. São Paulo: Contexto, 2006.

MARCUSCHI, Luiz Antônio; Produção Textual, análise de gêneros e Compreensão. São Paulo: Parábola Editorial, 2008.

SHIFMAN, Limor. Memes in Digital Culture. The MIT Press: 2013.


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ISSN 2317-0239 (Eletrônico)

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