USOS DO LABORATÓRIO DE INFORMÁTICA ESCOLAR POR JOVENS DE TERRITÓRIOS DE VULNERABILIDADE SOCIAL

Luís Henrique Sommer

Resumo


Resumo: Discute-se os modos como jovens se apropriam do espaço do laboratório de informática de uma escola pública, dentro de um programa governamental que privilegiava a abertura, aos finais de semana, de escolas sediadas em territórios de vulnerabilidade social. O corpus de análise da investigação que originou este trabalho foi produzido por meio de uma abordagem inspirada na etnografia, e envolveu observações das sessões, conversas, além de entrevista com o diretor da escola. O trabalho se sustenta, principalmente, em Bauman, Foucault e Viñao-Frago, desenvolvendo análises que apontam para: a) a regulação do laboratório de informática por meio da operação de tecnologias de poder próprias de nossas sociedades de segurança; b) as formas de sociabilidade instauradas pelos sujeitos, promovendo fluxos de vida e transformando o espaço escolar em lugar; c) o modo como as experiências de acesso à internet colocam os sujeitos em contato com novas formas de consumir e com novos produtos de consumo; d) a construção de novos significados para a escola, por meio de movimentos que vão lhes inscrevendo na perspectiva da flexibilização e dos fluxos; e) o entendimento de que a experiência no laboratório vai se constituindo como elemento do currículo cultural dos jovens da comunidade, afetando suas identidades sociais, conectando-os a novas práticas de caráter global, adentrando a lógica do glocal, entendido como uma forma de sintetizar este movimento contemporâneo que mixa o global com o local.

 


Palavras-chave


Informática educativa; Escola Aberta; Laboratório de informática

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ISSN 2317-0239 (Eletrônico)

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