E se o meu nome for Valesca? Funk carioca em O meu nome é Legião, deAntónio Lobo Antunes

André Corrêa de Sá

Resumo


Na esteira dos diálogos entre literatura e música, este artigo propõe uma leitura de O Meu Nome é Legião, romance do autor português António Lobo Antunes, ao som do funk de Valesca Popozuda. O jazz e a música clássica já foram invocados com sucesso pela crítica antuniana. Façamos agora por estender este diálogo a um ponto limite, pondo-o lado a lado com o funk carioca. A linguagem musical, apercebida pela qualidade intrínseca da expressão e das técnicas que pratica, já não prevalece. Enquanto movimento de resistência e etnocêntrico em prol da autoafirmação dos que estão nas margens, o funk reporta-se ao radicalismo da dança erotizada e à compulsão estridente pela essência de protesto contra as esferas privilegiadas. Interessa-nos desencadear um dueto entre as vozes de António Lobo Antunes e a performance de Valesca Popozuda. O que está em causa, nas hipóteses que lançamos, não é a dependência do ritmo musical, mas, sobretudo, compreender o modo como a sintaxe de Lobo Antunes ganha a natureza da dança.

Palavras-chave


António Lobo Antunes; O meu nome é Legião; Valesca Popozuda; funk

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DOI: http://dx.doi.org/10.17851/2359-0076.35.53.147-178

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Revista do Centro de Estudos Portugueses
ISSN 1676-515X (impressa) / ISSN 2359-0076 (eletrônica)

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