Trovadorismo e contemporaneidade: uma expressão literária medieval nas canções populares dos judeus sefarditas

Gilmei Francisco Fleck, Nilton César Ferreira

Resumo


O adjetivo pátrio “sefardita” é relativo aos judeus oriundos da Espanha e de Portugal, expulsos, respectivamente, em 1492 e 1496. Durante as perseguições movidas pela Inquisição, o destino desses judeus foi muito variado: Norte da África, Itália, Holanda, sul da França e o Império Otomano. Em vista disso, eles levaram consigo uma tradição representada por meio da língua, o judeu-espanhol, com uma visão bastante ibérica, iniciada há dezesseis séculos, nas formas de expressão literária e musical, passadas de geração em geração. Nesse sentido, este artigo objetiva identificar, nas canções tradicionais, ou populares, sefarditas, elementos de uma tradição literária bastante trovadoresca. Para tanto, o nosso corpus se constitui a partir de músicas, consagradas nas vozes de cantores, dentre os quais, Yehoram Gaon, Fortuna e Yasmin Levy. Concluímos que, devido ao isolamento dessas comunidades judaicas em relação à Península Ibérica, os textos orais sefarditas mantêm um acentuado conservadorismo literário e filosófico medieval. Entre as bibliografias utilizadas, destacam-se Scliar-Cabral (1990), Moisés (1970; 1972) e Saraiva e Lopes (1989).


Palavras-chave


Literatura Oral. Trovadorismo. Judeus sefarditas.

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DOI: http://dx.doi.org/10.17851/1982-3053.12.22.80-97

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