A formalização da percepção da vogal baixa nasalizada do espanhol à luz do modelo BiPhon: estudo comparativo de fragmentos das gramáticas de falantes nativos e de brasileiros adquirindo o Espanhol como língua estrangeira / Formalization of the perception of the nasalized low vowel in Spanish in the light of the BiPhon model: a comparative study of grammar fragments of Spanish native speakers and Brazilian students learning Spanish as a foreign language

Luciene Bassols Brisolara, Carmen Lúcia Barreto Matzenauer, Roberta Quintanilha Azevedo

Abstract


Resumo: Uma perspectiva formal está no foco deste artigo que visa discutir e representar a percepção da nasalização da vogal /a/ em determinados contextos nasais, fenômeno de alofonia no espanhol, que pode ser fonológico ou alofônico no português. O suporte empírico está em dados de 9 nativos da língua, de Montevidéu, e de 15 brasileiros aprendizes de espanhol como língua estrangeira. Os dados de percepção, aqui aproveitados dos estudos de Brisolara e Matzenauer (2018a, 2018b), foram obtidos em Teste de Identificação, elaborado no software TP (RAUBER et al., 2012). A menor acuidade dos uruguaios na identificação de vogais nasalizadas, em comparação aos brasileiros, atribuída ao caráter estritamente alofônico do fenômeno no espanhol, foi captada e formalizada no Modelo Bidirecional de Processamento e de Gramática - BiPhon (BOERSMA, 2006, 2007; BOERSMA; HAMANN, 2009), que integra a Teoria da Otimidade Estocástica. Como a percepção, segundo o BiPhon, tem o papel de mapear a representação fonética contínua para uma estrutura de superfície fonológica discreta, o fenômeno da percepção da nasalização da vogal /a/ no espanhol foi formalizado de modo que representou, pela interação entre Restrições de Pista e de Estrutura, a diferença da gramática dos brasileiros enquanto aprendizes de espanhol em relação à gramática dos uruguaios: o peso das Restrições de Estrutura *VORALN e *Vnasal foi decisivo na especificação de cada uma das duas gramáticas, sendo que a proximidade dos valores centrais das Restrições de Estrutura e de Pista representou a presença de variação nos dados de percepção tanto de uruguaios, como de brasileiros.

Palavras-chave: percepção; nasalização vocálica no espanhol; modelo BiPhon.

Abstract: A formal perspective is the focus of this paper, which aims to discuss and represent the perception of nasalization of vowel /a/ in certain nasal contexts, a phenomenon of allophony in Spanish, which can be either phonological or allophonic in Portuguese. Empirical support is based on data from 9 native speakers from Montevideo, Uruguay, and 15 Brazilian learners of Spanish as a second language. Perception data, taken from studies carried out by Brisolara and Matzenauer (2018a, 2018b), were obtained by an Identification Test, which was run by the TP software program (RAUBER et al., 2012). The fact that the Uruguayan have lower accuracy than the Brazilian to identify nasalized vowels is attributed to the strict allophonic nature of the phenomenon in Spanish. It was captured and formalized by the Bidirectional Processing and Grammar Model – BiPhon (BOERSMA, 2006, 2007; BOERSMA; HAMANN, 2009), which integrates the Stochastic Optimality Theory. Since perception, according to BiPhon, has the role of mapping continuous phonetic representation to a discrete phonological surface structure, the phenomenon related to the perception of nasalization of the vowel /a/ in Spanish was formalized in a way that represented, through the interaction between Cue Constraints and Structural Constraints, the difference between grammars of Brazilian Spanish learners and of Uruguayans: the weight of the *VORALN and *Vnasal Structural Constraints was decisive in specifying both grammars, and the proximity of the central values of the Structural and Cue Constraints represented the presence of variation in the perception data of the Uruguayan and the Brazilian.

Keywords: perception; vowel nasalization in Spanish; BiPhon model.


Keywords


percepção; nasalização vocálica no espanhol; modelo BiPhon; perception; vowel nasalization in Spanish; BiPhon model.

References


ALVES, U. K. Teoria da otimidade estocástica e algoritmo de aprendizagem gradual: princípios de funcionamento e tutorial para simulação computacional. ReVEL, [S.l.], v. 15, n. 28, p. 202-234, 2017.

BAILEY, A. A. Similar, yet Different: Acquisition of Brazilian Portuguese Nasal Vowels by Spanish-English Bilinguals. In: AMARO, J. C. et al. (org.). Selected Proceedings of the 16th Hispanic Linguistics Symposium. Somerville: Cascadilla Proceedings Project, 2013. p. 128-142.

BISOL, L. Estudos sobre nasalidade. In: ABAURRE, M. B. M.; RODRIGUES, A. C. S. (org.). Gramática do Português Falado: novos estudos descritivos. Campinas: Editora Unicamp, 2002. v. VIII, p. 501-535.

BOERSMA, P. Prototypicality Judgments as Inverted Perception. In: FANSELOW, G.; FÉRY, C.; SCHLESEWSKY, M.; VOGEL, R. (org.). Gradience in Grammar. Oxford: Oxford University Press, 2006. p. 167-184. DOI: https://doi.org/10.1093/acprof:oso/9780199274796.003.0009

BOERSMA, P. Cue Constraints and their Interactions in Phonological Perception and Production. Rutgers Optimality Archive, Berlin, n. 944, p. 1-42, 2007.

BOERSMA, P. Modelling Phonological Category Learning. In: COHN, A. C.; FOUGERON, C.; HUFFMAN, M. K. (org.). Handbook of Laboratory Phonology. Oxford: Oxford University Press, 2010. p. 207-218.

BOERSMA, P. A Programme for Bidirectional Phonology and Phonetics and their Acquisition and Evolution. In: BENZ, A; MATTAUSCH, J. (org.). Bidirectional Optimality Theory. Amsterdam: John Benjamins, 2011. p. 33-72. Doi: https://doi.org/10.1075/la.180.02boe

BOERSMA, P.; HAMANN, S. Introduction: Models of Phonology in Perception. In: ______. (org.). Phonology in Perception. Berlin: Mouton de Gruyter, 2009. p. 1-24.

BOERSMA, P.; HAYES, B. Empirical Tests of the Gradual Learning Algorithm. Linguistic Inquiry, Cambridge, v. 32, n. 1, p.45-86, 2001. DOI: https://doi.org/10.1162/002438901554586

BOERSMA, P.; PATER, J. Convergence Properties of a Gradual Learning Algorithm for Harmonic Grammar. Amsterdam: University of Amsterdam; UMass Amherst, 2008.

BOERSMA, P.; WEENINK, D. Praat. Doing Phonetics by Computer (versão 5.3.84). 2013. Disponível em: http://www.fon.hum.uva.nl/praat/. Acesso em: 10 abr. 2017.

BRISOLARA, L. B.; MATZENAUER, C. L. B. A percepção da vogal /a/ do espanhol, em contextos nasais, por brasileiros. Gradus: Revista Brasileira de Fonologia de Laboratório, Curitiba, v. 3, n. 1, p. 42-63, 2018a. DOI: https://doi.org/10.5935/2079-312X.20190002

BRISOLARA, L. B.; MATZENAUER, C. L. B. A nasalidade vocálica em espanhol: um estudo de percepção. Revista da Anpoll, Florianópolis, v. 1, n. 45, p. 12-29, 2018b. DOI: https://doi.org/10.18309/anp.v1i45.1102

BRISOLARA, L. B.; MATZENAUER, C. L. B.; SEARA, I. C. A vogal /a/ do espanhol em contexto nasal – a produção de brasileiros. Linguística, Montevideo, v. 35, n. 1, p. 11-34, 2019. DOI: http://dx.doi.org/10.5935/2079-312x.20190002

CAGLIARI, L. C. An Experimental Study of Nasality with Particular Reference to Brazilian Portuguese. 1977. 320f. Tese (Doutorado em Filosofia) – School of Linguistics and English Language, University of Edinburgh, Edinburgh, 1977.

CÂMARA Jr, J. M. Manual de expressão oral e escrita. Petrópolis: Vozes, 1977.

CROSSWHITE, K. Vowel Reduction in Optimality Theory. New York: Routledge, 2001.

DELATTRE, P. Les Attributs Acoustiques de la nasalité vocalique et consonantique. Studia Linguistica, Reino Unido, v. 8, n. 2, p. 103-109, 1954. DOI: https://doi.org/10.1111/j.1467-9582.1954.tb00507.x

ESCUDERO, P. Linguistic Perception and Second Language Acquisition: Explaining the Attainment of Optimal Phonological Categorization. 2005. 348f. Tese (Doutorado em Linguística) – Utrecht University, Utrecht, Holanda, 2005.

GOUSKOVA, M. Optimality Theory in Phonology. In: BERND H.; NARROG, H. (org.). The Oxford Handbook of Linguistic Analysis. Oxford: Oxford University Press, 2009. p. 531-553. DOI: https://doi.org/10.1093/oxfordhb/9780199544004.013.0021

HARO, A. H. La percepción de la nasalidad en las vocales españolas. Vida Hispánica, Wollongong, v 44, p. 12-15, 2011.

HUALDE, J. I.; COLINA, S. Los Sonidos del Español. Cambridge: Cambridge University Press, 2014. DOI: https://doi.org/10.1017/CBO9780511719943

KAGER, R. Optimality Theory. Cambridge: Cambridge University Press, 1999. DOI: https://doi.org/10.1017/CBO9780511812408

LINDBLOM, B. Phonetic Universals in Vowel Systems. In: OHALA, J. J.; JAEGER, J. J. (org.). Experimental Phonology. Orlando: Academic Press, 1986. p. 13-44.

NAVARRO TOMÁS, T. Manual de pronunciación española. Madrid: Consejo Superior de Investigaciones Científicas, 1918[2004].

PASCA, M. A. Aspectos da aquisição da vogal oral /a/ em língua espanhola por estudantes de língua portuguesa: a questão da percepção. 2003. 117f. Dissertação (Mestrado em Letras) – Instituto de Letras, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2003.

QUILIS, A. Tratado de fonología y fonética españolas. Madrid: Editorial Gredos, 1999.

RAUBER, A.; RATO, A.; SANTOS, G.; KLUGE, D.; FIGUEIREDO, M. TP - Testes de Percepção / Tarefas de Treinamento Perceptual. 2012. Disponível em: http://www.worken.com.br/tp/tp_instala.html. Acesso em: 19 set. 2016.

RODRIGUES-ALVES, M. S. P. A nasalidade vocálica em português e em espanhol. 2014. 157f. Tese (Doutorado em Linguística e Língua Portuguesa) – Faculdade de Ciências e Letras, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Araraquara, 2014.

SANTOS, G. B. Análise fonético-acústica das vogais orais e nasais do português: Brasil e Portugal. 2013. 198f. Tese (Doutorado em Linguística) – Faculdade de Letras, Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2013.

SEARA, I. C. Estudo acústico-perceptual da nasalidade das vogais do Português Brasileiro. 2000. 271f. Tese (Doutorado em Linguística) – Centro de Comunicação e Expressão, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2000.

SOUSA, E. M. G. Para a caracterização fonético-acústica da nasalidade no português do Brasil. 1994. 170f. Dissertação (Mestrado em Linguística) – Instituto de Estudos da Linguagem, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 1994.

SOUZA, L. C. da S. Análise acústica das vogais nasais e nasalizadas do português do Brasil e suas implicações fonético-fonológicas. 2013. 121f. Dissertação (Mestrado em Linguística) – Programa de Pós-Graduação em Linguística, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vitória da Conquista, 2013.

VAQUERO DE RAMÍREZ, M. El español de América I: pronunciación. 3. ed. Madrid: Arco/Libros, 2003.


Refbacks

  • There are currently no refbacks.
';



Copyright (c) 2020 Luciene Bassols Brisolara, Carmen Lúcia Barreto Matzenauer, Roberta Quintanilha Azevedo

Creative Commons License
This work is licensed under a Creative Commons Attribution 4.0 International License.

e - ISSN 2237-2083 

License

Licensed through  Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional