Roland Barthes e o discurso amoroso: para além da teoria, o romanesco

Rafael Lovisi Prado

Resumo


Em seu mais recente livro, publicado em 2007, intitulado A literatura em perigo,Tzvetan Todorov “alerta” para os riscos que a literatura estaria correndo nacontemporaneidade devido, sobretudo, à sombria influência do estruturalismo epós-estruturalismo francês dos anos de 1960 e 70 nos professores e críticosliterários de hoje. Que aquele foi um período de supremacia da teoria imanentistasobre a criação artística parece-nos um fato. No entanto, o presente texto buscaressaltar, através de apontamentos sobre o livro Fragmentos de um discursoamoroso, de Roland Barthes, que, obviamente, nem tudo que foi produzido pelosmaîtres à penser daquele momento adequa-se a uma definição reducionista:tentamos mostrar como Barthes, dando seqüência a uma obra cingida em meio aconstantes rupturas, afastou-se da própria teoria para fazer insurgir um outrodiscurso, em muito avesso aos pressupostos desta. Para o autor, devido a umaespécie de reviravolta histórica, o discurso amoroso havia adquirido a condição deobsceno em nossa cultura, ou seja, daquilo que deveria ser posto “fora da cena”.Sendo assim, ao simular a enunciação de tal discurso (foco de constantesdepreciações por parte das linguagens em voga naquele momento), Barthes dá vozao intempestivo do amor.

Palavras-chave


Roland Barthes; Fragmentos de um discurso amoroso

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Referências


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DOI: http://dx.doi.org/10.17851/2317-4242.3.0.333-349

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Revele: Revista Virtual dos Estudantes de Letras
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