O Popol Wuj como ferramenta de ensino na era da informação / The Popol Wuj as a tool to learn at the age of information

Ana Maria Barrera Conrad Sackl

Resumo


RESUMO:Este artigo aborda o devir do Manuscrito do Popol Wuj (XIMÉNEZ, 1700) de origem pré-hispânica, um dos textos mais antigos das Américas, sobrevivente da colonização espanhola e conservado até a era da informação. Justifica-se seu estudo pelo fato de a obra ser largamente utilizada nas escolas da América Latina, porém pouco aproveitada no Brasil. O objetivo deste artigo é descrever alguns detalhes do trabalho de restauração do manuscrito na Newberry Library de Chicago e sua posterior digitalização na Universidade de Ohio (The Ohio State University), abordar algumas características ontológicas do manuscrito e do documento digitalizado e comentar as funcionalidades de ambas a partir do ponto de vista de autores como Genette (2009) e Biasi (2007 e 2010). Finalmente pesquisa-se a epistemologia do texto maia por considerá-lo um aporte para as discussões sobre novos paradigmas a respeito da ecologia, seguindo as considerações de di Felice (2012) sobre redes de informação. Nessa perspectiva, propõe-se que o Popol Wuj é uma ferramenta didática para o ensino interdisciplinar e intercultural. 

 

ABSTRACT:This article deals with the topic of the historical path and the future of the Popol Wuj (Ximénez, 1700), a mythic manuscript that survived the Spanish colonization. Considered to be one of the oldest Pre-Hispanic texts found in the Americas, the book has remained preserved till our Information Age. The text, widely used in Latin-American schools, is not yet well known in Brazil. The goal of this research is to understand the epistemology of the text, considering it appropriate for an ecological education, in accordance with the Net Information concepts from Massimo di Felice (2012).The article also describes some details of the restoration of the manuscript and its digitalization, done at Ohio State University. After a commentary on the ontological and functional characteristics of the manuscript and its digitalized copies, taken from the point of view of authors like Genette (2009) and Biasi (2007 e 2010), we point out that the Popol-Wuj is an efficient tool for interdisciplinary and intercultural teaching.


Palavras-chave


educação; rede; epistemologia; manuscrito; digitalização.

Texto completo:

PDF

Referências


BIASI, P.-M. de. A genética dos textos. Título original: La génétique des textes. Tradução de Marie-Hélène Paret Passos. EDIPUCRS: Porto Alegre. 2010.

BIASI, P.-M de. Institut des Textes & Manuscrits Modernes (ITEM-Paris) [Online], 7 de março de 2007. Le patrimoine écrit. Disponível em: http://www.item.ens.fr/index.php?id=13597 . Acesso em: março de 2016.

BROTHERSTON, G.; MEDEIROS, S. (Orgs.). Popol Vuh. Edição bilíngue maia quiche – português. São Paulo: Iluminarias, 2012.

CHINCHILLA, O. Imágenes de la mitología maya. Guatemala: Universidad Francisco Marroquín, 2011.

COE, M. D. Los gemelos heroicos: mito e imagen. In: KERRS, J. The maya vase book: a corpus of rollout photographs of maya vases, v. 1. New York: Kerr Associates, 1989. p. 161-184.

CRAVERI, M. El lenguaje del mito: voces, formas y estructura del Popol Vuh. México: Universidad Nacional Autónoma de México, Instituto de Investigaciones Filológicas, 2012. (Cuadernos del Centro de Estudios Mayas, v. 37)

DI FELICE, M. Paisagens Pós-urbanas. O fim da experiência urbana e as formas comunicativas do habitar. São Paulo: Annablume, 2009 (Coleção ATOPOS).

GENETTE, G. Paratextos Editorias. Título original: Seuils. Tradução de Àlvaro Faleiros. Cotia, SP: Ateliê Editorial, 2009.

LEÓN PORTILLA, M. Códices: os antigos livros do novo mundo; Título original: Los antigos libros del Nuevo Mundo. Tradução de Carla Carbone: revisão técnica Eduardo Natalino dos Santos. Florianópolis: Ed. da UFSC, 2012.

LÓPEZ-AUSTIN, A. Breve historia de la tradición religiosa mesoamericana. México, D.F.: Universidad Nacional Autónoma de México, Instituto de Investigaciones Antropológicas, 1996. (Antropología e historia antigua de México; 2)

LÓPEZ, C. Los “Popol Wuj” y sus epistemologías: las diferencias, el conocimiento y los ciclos del infinito. Quito: Abya- yala, 1999.

MOREIRA, A. et al. Digitalização de manuscritos históricos: a experiência da Casa Setecentista de Mariana. Ciência da Informação, Brasília, v. 36, n. 3, p. 89-98, set./dec. 2007. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ci/v36n3/v36n3a11.pdf . Acesso em: 27 jun. 2015.

MORIN, E. Educar na era planetária: o pensamento complexo como método de aprendizagem no erro e na incerteza humana. Título original: Éduquer Pour L’ Ère Planétaire. La pensée complexe comme Méthode d’apprentissage dans l’erreur et l’incertitude humaines. Tradução de Sandra Trabucco Valenzuela. São Paulo: Cortez, 2003.

MIGNOLO, W. D. Capitalismo y geopolítica del conocimiento: el eurocentrismo y la filosofía e la liberación en el debate intelectual contemporáneo. Buenos Aires: Signo Duke University, 2001.

NASCIMENTO, R. N. A. A complexidade como matriz de uma nova ecologia cognitiva. 284 p. Tese de Doutorado em Educação. Universidade Federal da Paraíba – UFPB. João Pessoa: Universidade Federal da Paraíba – UFPB, 2007.

OKOSHI HARADA, T. Los Xiu del siglo XIV: una lectura de dos textos mayas coloniales. Revista Mesoamérica, Plumsock Mesoamerican Studies. CIRMA, La Antigua, Guatemala, ano 21, n. 39, p. 225-238, jun. 2000. Disponível em:

http://www.mayas.uady.mx/articulos/xiu.html . Acesso em: 09 mai. 2017.

PRADO, M. E. B. B. Articulações entre áreas de conhecimento e tecnologia. Articulando saberes e transformando a prática. In: ALMEIDA, M. E. B. de; MORAN, J. M. (Orgs.). Integração das tecnologias na educação. Brasília: Ministério da Educação/SEED/TV Escola/Salto para o Futuro, 2005, p. 54-58. Disponível em: http://www.pucrs.br/famat/viali/tic_literatura/livros/Salto_tecnologias.pdf . Acesso em: 09 mai. 2017.

RESTREPO, E.; ROJAS, A. Inflexión Decolonial: fuentes, conceptos y cuestionamientos. Colección política de la alteridad. Instituto de Estudios Sociales y Culturales. Universidad Javeriana. Colombia: Editorial Universitaria del Cauca. Popayan, 2010.

SACKL, A. M. B. C. Tradução e Paratradução do Popol Wuj: Paratextos e excertos do gênese. 210f. Tese (Doutorado em Estudos da Tradução). Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, 2015.

SAM COLOP, E. Popol Wuj (traducción al español y notas de Sam Colop). 2. ed. Guatemala: F&G Editores, 2011.

SCHERZER, C. Las historias del origen de los indios de esta provincia de Guatemala. Viena: La Imperial Academia de las Ciencias, 1857. Disponível em: https://archive.org/details/lashistoriasdelo00xim . Acesso em: 12 jul. 2010.

XIMÉNEZ, F. Ms Ayer 1515. The Ohio State University. Columbus: The Ohio State University Libraries, 1700. Disponível em: http://library.osu.edu/projects/popolwuj/folios_eng/PWfolio_i_r_en.php . Acesso em: 22 fev. 2012.




DOI: http://dx.doi.org/10.17851/1983-3652.10.1.215-228

Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Texto Livre: Linguagem e Tecnologia
ISSN 1983-3652 (eletrônica)

Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais

Belo Horizonte - Minas Gerais (Brasil)

Licença Creative Commons

Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.