“Poesia é vertical”: Samuel Beckett e a criatividade vanguardista / “Poetry is Vertical”: Samuel Beckett and the Vanguard Creativity

Olga Kempinska

Resumo


Resumo: Ao debruçar-se sobre o envolvimento de Samuel Beckett no surrealismo, evidenciado pela assinatura, em 1932, do manifesto “Poesia é vertical”, e culminado em Murphy, o artigo tenta resgatar alguns traços da teoria do sublime de Burke na visão vanguardista da criatividade. A acentuação da verticalidade subverte não apenas a experiência desencarnada do sublime, tal como conceituado na estética tradicional, como também insiste em sua reinterpretação no âmbito da psicanálise, permitindo, dessa forma, a elaboração de uma reflexão sobre o prazer do trabalho da escrita e sobre a relevância da destruição nos processos criativos. Constituindo uma resposta ao Segundo Manifesto do Surrealismo (1930), permeado pela violência, e coincidindo com a reformulação freudiana do processo da sublimação, no qual acontece a troca não apenas da direção da pulsão, mas também de seu objeto, o manifesto conta ainda com a assinatura de Hans Arp, abrindo-se, assim, a uma discussão sobre a importância da relação entre os regimes visual e verbal.

Palavras-chave: surrealismo; Samuel Beckett; sublime; Murphy.

Abstract: In analysing the involvement of Samuel Beckett in the surrealism, evidenced by the signature, in 1932, of the manifesto “Poetry is vertical” and culminated in Murphy, the article attempts to rescue some traces of the Burke’s theory of sublime in avant-garde vision of creativity. The stress on the verticality subverts not only the disembodied experience of the sublime as known in the traditional aesthetics, but also insists on its reinterpretation in the context of psychoanalysis, allowing thus a reflection about the pleasure of the work of writing and the importance of the destruction for the creativity. Constituting a response to the Second Manifesto of Surrealism (1930), permeated by violence, and coinciding with the Freudian sublimation process redesign, in which happens to change not only the direction of the drive, but also its object, the manifest features as well the signature of Hans Arp, valorizing a discussion of the importance of the relationship between visual and verbal systems.

Keywords: surrealism; Samuel Beckett; sublime; Murphy.


Palavras-chave


surrealismo; Samuel Beckett; sublime; Murphy; surrealism.

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