Sobre a literatura da destruição e o Ulisses, de James Joyce

Fabio Akcelrud Durão

Resumo


Resumo: O presente artigo, originalmente concebido como uma palestra, está dividido em duas partes. Na primeira, aborda uma crise atual da cultura, segundo a qual não é mais possível vislumbrar o que seria sua alteridade enfática: a cultura parece não ter outro. Após defender a necessidade de recuperação da negatividade para o âmbito das artes, o texto volta-se para o Ulisses, de James Joyce, para argumentar que o núcleo do monólogo interior, a técnica narrativa que ao máximo representa a interioridade psicológica, possui um traço inorgânico, que permeará o romance em sua segunda parte. No entanto, a fragmentação do corpo dos personagens e a recusa final do antropomorfismo não excluem o humano. A conclusão é que, a partir de Ulisses, torna-se possível imaginar o que seria a comunicação da dor.

Palavras-chave: cultura; negatividade; James Joyce; Ulisses; monólogo interior; dor.

Abstract: This paper, originally conceived as a keynote talk, is divided into two parts. In the first one, it discusses a current crisis in culture, according to which it is no longer possible to glimpse the other of culture. After arguing for the need to recuperate negativity for the realm of art, the text proposes a reading of James Joyce’s Ulysses that investigates the role of the interior monologue in the representation of psychological immediacy. While this technique meant an advance in the representation of psyche, it also contained in itself the kernel of inorganic thrust that marks the second part of the novel. However, the characters’ fragmentation and the eventual refusal of anthropomorphism does exclude the human. The conclusion is that, taking Ulysses as a starting point, it is possible to imagine what the communication of pain would be.

Keywords: culture; negativity; James Joyce; Ulysses; interior monologue; pain. 


Palavras-chave


cultura; negatividade; James Joyce; Ulisses; monólogo interior; dor; culture; negativity; James Joyce; Ulysses; interior monologue; pain.

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DOI: http://dx.doi.org/10.17851/2317-2096.23.3.211-222

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