Agaton no Banquete: um prelúdio à filosofia
Resumo
Neste artigo, procuro indicar como o elogio de Agaton (194e-197e), ao contrário do que comumente vemos ser sustentado pela maior parte dos intérpretes do Banquete, pode ser lido como uma espécie de prelúdio às concepções posteriormente defendidas por Sócrates e Diotima. Com o intuito de comprovar minha hipótese, primeiramente questiono um dos motivos que levou a tradição exegética a rejeitar o discurso do tragediógrafo como fonte de opiniões verdadeiras sobre o amor, a saber, a associação feita pelo próprio Sócrates entre o elogio de Agaton e a retórica de Górgias. Em um segundo momento, defendo que o conteúdo do encômio do poeta trágico, apesar do estilo gorgiânico por ele adotado, alinha-se em muitos pontos àquilo que vemos Sócrates sustentar em seu próprio discurso em louvor a Erōs.
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PDFReferências
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DOI: http://dx.doi.org/10.17851/1983-3636.14.1.233-254
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Nuntius Antiquus
ISSN 2179-7064 (impressa) / ISSN 1983-3636 (eletrônica)

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