O ardil excelente do nome: notas sobre a palavra poética de Ulisses

Gabriel Schünemann Dantas

Resumo


O presente artigo é fruto da análise de um dos mais célebres entrechos do poemaOdisseia, de Homero. Uma das primeiras obras literárias do ocidente que forampreservadas, a narrativa apresenta ainda hoje um caráter desafiador e multifacetado. Oentrecho que se abordará é o que trata do célebre encontro entre Ulisses e o ciclopePolifemo. Baseando-se, primeiramente, em François Hartog, ressaltar-se-á a delimitaçãoda partilha identitária operada na obra. Neste ponto, será explorado o caráterantropológico da narrativa, especialmente na configuração identitária do ciclope. Emseguida, tentar-se-á demonstrar, a partir das teorias enunciativas e discursivas doslinguistas Émile Benveniste, Patrick Charaudeau, Dominique Maingueneau, além dasgramático-funcionais de Louis Hjelmslev e Mattoso Câmara, o jogo enunciativo, comespecial ênfase no aspecto dêitico, presente na cena. Por fim, busca-se ressaltar, a partirdas teorias de Chklóvski, sobre o artifício poético, e Henri Meschonnic, sobre a palavrapoética, o estatuto poético, especialmente, do pronome Ninguém. Não se pretende, noespaço deste artigo, esgotar nenhum dos tópicos abordados; a função do presenteestudo é, antes, delimitar algumas balizas para se apreender algo do caráter poéticoantropológicodo poema.

Palavras-chave


Poética; Dêixis; Enunciação

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DOI: http://dx.doi.org/10.17851/2317-4242.3.0.435-450

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